Diário da ex


04/04/2011


Segunda

Desculpe diário mas hoje não estou com vontade de escrever. Escrever muito.

Acordei e começei a faxinar a minha casa numa vontade quase inconsciente de também limpar a mente. Me livrar de idéias passadas, mal resolvidas, e dessa angústia que anda me consumindo e me deixa atordoada, desanimada, chateada. Não vou mais uma vez descrever o quanto é dolorosa essa situação, só precisa saber que ainda está aqui.

Ainda não sei o que fazer.Desde ontem não nos falamos. Acabo de conversar com uma amiga e em poucos minutos eu que sou tão certa de mim troco de opinião a cada respirada.

E eu penso: Por que voltar? Porque eu o amo. Porque é bom ser sua namorada, ter sua companhia, carinho, por sua família que me recebeu muitíssimo bem, pelo seu bom caráter. E por que não voltar? Pelas inúmeras grosserias, falta de participação, de motivação.. porque falta algo e eu quero mais. Quero mesmo?

Juro que agora a minha vontade era de ligar correndo pra ele e pedir perdão. Dizer que estou arrependida, que o quero de volta, quero nossa vida, nossos planos. Receber um beijo e um abraço gostoso, chorar bastante no seu colo e ser consolada poe ele dizendo que tudo vai ficar bem. 

Estou com um medo descomunal do futuro. De me arrepender, de não viver, do caminho ser sem volta e ser ruim. Algum conselho?

Me falta coragem, coisa que nunca me faltou. Nunca tive medo de enfrentar, e sempre fiz e aconteci na minha vida. Prevalecia a minha determinação, quem cuidava do meu caminho era eu. E ainda é, mas estou consumida, dividida por esse amor. E mais uma vez estou sofrendo por amar.

Parece meio dramatico quando leio o que escrevo. E esse "sofrimento", essa deprê, não tem a minha cara. Eu estou bem, estou tocando a minha vida. Prestes a tomar uma decisão definitiva a qual rabisca o meu futuro.. 

Não estou muito boa para desabafos. Estou triste e ainda não sei o que fazer. Meu Deus olha por mim, me perdoa pelos meus pecados, me guia e me abençoa.

Boa noite.

 

Escrito por a ex às 21h06
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03/04/2011


48 Horas

Acaba o fim de semana. Domingo é sempre controverso; persistência da preguiça e ansiedade pré segunda.

A cada hora os sentimentos vão tomando formas diferentes no meu coração. Não sei direito o que pensar, decidir.. Engraçado é ler o post anterior e ver como estava sofrendo ontem, como doía, e perceber que a dor ainda está aqui, mas pouco menor, mais cansada, se fazendo presente nos suspiros e dor de cabeça latejante. A sensação é de ressaca.

E eu que achei que estava decidido, resolvido, determinado me perco na minha própria confusão, enlouquecendo junto quem está em volta. 

Tudo bem, vou contar o porque dessa confusão e ver se assim também clareio minhas idéias. Ontem quando terminamos ele saiu da minha casa triste, com raiva, pedindo para nunca mais nem nos cumprimentarmos se estivermos no mesmo ambiente (fato que deve acontecer várias vezes). Natural, compreensível, simples tentativa de defesa. Nunca tive dúvidas do amor dele por mim. Aceitei, respeitei e passei a sentir e gosto amargo e indigesto do término, sabor esse descrito já no post anterior. 

Dormi. Acordei com o barulho irritante, ensurdecedor do telefone da minha casa tocando insistentemente. Exitei, pensei nas possibilidades de quem poderia estar do outro lado da linha, e resolvi atender. 

Era ele. Com a voz rouca, chorosa, dizendo que não conseguia mais suportar ficar sem mim. Que minha companhia era essencial, que não entendia o motivo dessa decisão, que não acreditava no fim. Entre outros comentários dilacerantes, disse que eu ia me arrepender, que não era a primeira vez que ele vivenciava essa mesma história e sabia o fim. Nós iremos sofrer, nos recuper, seguir com a vida e que de repente, quando percebesse a "cagada" seria tarde demais. Não teria volta, o amor teria sido esquecido, o tempo passado e a oportunidade perdida.

Eu fui resistente até onde pude mas não consegui controlar o choro ao ver o homem tão forte, resolvido, despedaçar como menino implorando pela presença da sua "princesa". "Não sei o que fazer para não me perder".

Desliguei o telefone e me acalmei. Falei com a única pessoa que eu realmente confio: minha mãe. Mais uma vez o conselho milagroso surgiu: esfriar a cabeça, pedir um tempo, não resolver nada, tentar me entender, e conversar com o sentimento acentado, curtido; e independentemente de tudo seguir o coração. Ela disse que entendia ambos os lados, mas acreditava que as coisas deveriam ser tratadas com calma, pois ela, por exemplo, faria tudo para ter a oportunidade de estar ao lado do meu pai de novo.

Fui almoçar com uma grande amiga, e contado o acontecido as coisas na minha cabeça são muito claras, muito práticas. Preciso pensar em mim. Quero viver novas experiências. Não aceito o quase perfeito, quero o mais perfeito possível, o homem 99,999999% perfeito já que 100% é impossível. Voltei pra casa e ele não saia do pensamento. Fiquei preucupada, incomodada desde a ligação, querendo saber se ele estava mais calmo. Não liguei. Cochilei.

Acordei com ele me chamando ao lado da minha cama. Não era sonho/pesadelo. Ele estava ao lado da minha cama, com os olhos vermelhos, cabelo despenteado, dizendo que não sabia o que fazer. Só queria ficar comigo, sua boneca, princesa, amor, futura mulher. A cada lágrima dele meu coração dava um nó, meu estômago remexia e faltava o ar. O que eu menos queria era causar o sofrimento pra alguem que amo tanto. Amo sim, fato! Só não quero estar junto agora. Acho definitivamente que falta algo, ele não é o que eu sonhei. Tudo bem que meu principe encantado não existe, tenho total consciencia do mundo cão, machista e faltoso de bom caráter no qual vivemos atualmente.

Uma dúvida SEMPRE me perseguiu: termino tudo, me arrisco a buscar algo que me complete, ou a minha exigência é tão minunciosa que a frustração vai me envolver e o melhor é me mantenho nessa minha posição cofortabilíssima de namorada, e com a certeza de que esse homem me ama?

"Não acredito que a minha menina está fazendo isso comigo. Me sacrificando, desvalorizando, me excluindo da sua vida. Não acredito que você não me quer do seu lado pra te apoiar, pra viver com você."Ele repetia insistentemente.

Se ontem a palavra era nada, hoje é nublado. O dia está cinza e a neblina está por todo canto. Não me deixa ver, entender. Exaustivamente confusa.

Tempo, saudade, ausência, rotina, destino. Talvez tudo isso me leve a enxergar. Peço a Deus um começo de semana iluminado, para todos nós, um pedido de tempos futuros em paz.

 

 

Escrito por a ex às 21h35
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Durmo,cochilo, durmo,cochilo. E a única frase que me vem à cabeça é:

Meu coração está despedaçado.

Depois de um relacionamento de dois anos, cheio de altos e vários baixos, não achei que iria ser tão difícil. Aliás, ontem quando sai com minhas amigas, dei risada, olhei as pessoas em movimento, sendo autores de sua própria história, achei que já estava totalmente incorporada a esse mundo. Mas Deus como é difícil.

Não sei explicar realmente o que aconteceu, onde foi que nos perdemos, quem tem razão. E pensando bem em que, e quanto tudo isso muda a dor que sinto?

Nada. Nada é a resposta para essa pergunta, é o que eu tenho a oferecer hoje, é o quanto tenho de alegria no coração e nada é o que eu quero fazer.

Não sei bem ao certo o que pensar, o que escrever. Tudo aquilo que há poucas horas era tão certo, seguro, prático, agora se perdeu, está em milhões de pedacinhos que vêem como flashes, fotos na minha cabeça e me remexe o estômago a cada pensamento.

Tento me esforçar, respirar fundo, me entreter com a TV mas o “nós dois” está estampado em todas as direções, em cada objeto da minha casa, em cada parte do meu corpo. Acredito que não estou arrependida, nem que não foi correto, ou que na hora do término as coisas poderiam ter sido diferentes.

Mas Ahhh que coisa ruimm, que sensação horrível, que vontade de ficar com ele, de abraçar e encontrar o pé dele de noite embaixo das cobertas. Quem dera relacionamentos serem feitos apenas disso. Começei a escrever pra tentar aliviar o choro, resumir a dor, mas não está adiantando. Como diz minha mãe: há hora certa de se viver o luto, mas sem deixar de viver.

Hoje só consigo viver o luto.

Dói muito. Antes tambem já doeu assim, e passava pouco a pouco, a cada ligação dele, sms, recados no Orkut, ou presentes na minha casa. Passava a cada sinal de possível mudança, de volta da situação confortável e rotineira, a cada nova chance e recomeço nos nossos corações. Ainda não caiu a ficha de que dessa vez não. Não terão reencontros, pedidos de volta a vida juntos, nem a casa da família dele e os fins de semana tranqüilos de restaurantes e cinemas.

 Não sei como reagirei agora, já que a mesma dor que sinto hoje é dor companheira, antiga, como aquela amiga que você vê poucas vezes, mas nunca nada muda quando começam a conversar, relembrar o passado ou planejar os planos futuros. Essa dor é conhecida, e perdi um pouco do brilho a cada vez em que passou por mim. Eu já não sou aquela menina que levava fora dos paquerinhas da escola, chorava dias a fio e logo se entregava totalmente a outro paquerinha. Sou ainda a menina sensível, romântica que agora sente medo, fica insegura, mas tem força pra se recuperar, e as idéias as quais compõem essa garota já são bem diferentes do que as idéias anteriores nas quais a concentração maior era em músicas do metálica e aprovação no vestibular.

 


Acabo de prender o cabelo e o cheiro do perfume dele ficou no meu pescoço, talvez seja pelo abraço dele quando implorou que eu reconsiderasse e não terminasse nosso namoro.

Não queria fim pra nós dois, queria estar junto dele, vivendo uma vida juntos, fazendo e realizando planos.Ele nunca vai entender o real porque desse término, de ser descartado dessa forma, e eu também não tenho como explicar.

Pra ser sincera nem sei se existe um motivo descritível, entendível, explicável, não sei se enlouqueci. Sei que dessa vez nossa conversa na tentativa de uma volta não me tocaram tanto, sei que encerro esse namoro pensando única e exclusivamente em mim, querendo mais, querendo ser melhor, acreditando numa verdade consolável de não prostrar, de procurar me completar, ser plena, leve, feliz.

Entro numa barca furada, numa difícil jornada de autoconhecimento puramente circunstancial já que viverei sozinha a partir de agora e terei bastante tempo para me criticar, ou não.

Acabo de deitar na minha cama e o perfume dele também tomou conta do travesseiro, dos lençóis. Fico tentando me distrair com a escrita e pensando na próxima frase, mas o cheiro está aqui presente, me remetendo as dúvidas perseguitórias e o total medo de me arrepender.Vou assistir um filme e tentar dormir, passa mais rápido, desacelera o coração.

Nada como uma noite para separar dois dias. E no meu caso, um dia namorada, noutro ex.

 

Escrito por a ex às 00h23
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